Ao comprar um imóvel, leve em consideração o projeto acústico.

Data e Hora  artigo publicado em 19/04/2013

Somente quem vive em apartamentos acusticamente mal projetados sabe o pesadelo que é conviver com o barulho alheio. As piores reclamações são: Salto alto no andar de cima, móveis sendo arrastados, queda de objetos, ruídos vindos do encanamento, etc... 

Este tipo de incômodo tem causado males que reduzem drasticamente a qualidade de vida, levando inclusive ao desenvolvimento patologias derivadas a partir do sistema nervoso. Tanto é que as reclamações derivadas de barulhos entre vizinhos, têm liderado o ranking de disque-denúncias nas principais metrópoles do Brasil. 

O fato é que isto vem acontecendo, principalmente com o advento de novas técnicas construtivas que permitem obter, com cada vez menos material, igual solidez à que era alcançada nas edificações de outrora, buscando acima do conforto, a estabilidade do prédio. Segundo o Engenheiro Acústico de Edifícios e Ambiental Victor Zimmermann Neto,” a precariedade no isolamento acústico nas novas construções é resultante da busca por materiais que barateiem o custo da obra”. O resultado disso, é uma exposição acústica tão sensível que, em alguns casos é possível ouvir vizinhos conversando normalmente.

Segundo a ABNT (Associação Brasileira de Normas e Técnicas), o nível de conforto acústico ideal para dormitórios seria entre 35-45DB, o equivalente a duas pessoas conversando em moderado tom de voz. Na prática, ocasionalmente os ruídos vindos do exterior ultrapassam a 80DB, o que equivale a um liquidificador ligado. Apesar das considerações da ABNT relacionadas ao conforto acústico, até este ano, nenhuma  Norma de desempenho relacionada a acústica de edificações era regulamentada. No entanto, a partir do dia 19 de julho deste ano, todos os agentes da construção civil – incorporadores, consultores, construtores, fornecedores e projetistas terão que se adequar à Norma NBR15575, a norma de desempenho que determina também um nível adequado de ruído. 

A norma especifica 3 níveis de desempenho que são: Mínimo, Intermediário e Superior. É justamente aqui que o comprador do imóvel precisa ficar atento, pois estes níveis são o parâmetro para quantificar o conforto acústico desejado. Pela norma, em se tratando de ruído de impacto por exemplo, o barulho resultante de uma queda do andar de cima não pode ultrapassar a 80dB. Mas este é o nível mínimo exigido pois o empreendimento pode estar adequado a um  dois níveis mais satisfatórios: Os níveis intermediários que variam de 55 até 65dB e os níveis superiores que não podem ultrapassar 55dB. Note que quanto menor a quantidade de dB maior será o nível de conforto acústico.

 

O imóvel vai ficar mais caro?

Para se adequar à norma, profissionais da construção civil precisarão buscar empresas especializadas em fornecer produtos e mão de obra especializada, o que gera o “desconforto” por se concluir que isto implica em maiores gastos.  No entanto,  “nem sempre qualidade e eficiência são sinônimos de alto custo” afirma Neto.”  Já temos no mercado produtos com características de alta tecnologia  amplamente utilizados no mercado exterior. São justamente estes adventos tecnológicos que trazem soluções acústicas de excelente custo-benefício. A implementação destas soluções não ultrapassam o ajuste de 7% do valor da obra.

 

Como saber se o imóvel atende as normas?

Ao comprar um imóvel é importante analisar atentamente seu memorial descritivo. Nele os produtos devem ser descritos quanto ao desempenho e não quanto a marca ou modelo. O consumidor que comprar um apartamento, cujo projeto tenha sido protocolado depois de 19 de julho de 2013, poderá exigir o integral cumprimento da NBR 15575, amparado pelo Código de Defesa do Consumidor.

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